Repórter que denunciou a "máfia do apito" conta os bastidores da apuração

Com o argumento de que faria matérias sobre o a vida de árbitros do futebol, André Rizek, repórter especial da Revista Placar, conseguiu investigar o caso da “máfia do apito”. Rizek recebeu uma denúncia de irregularidades na arbitragem de partidas de futebol. Até hoje, a fonte é mantida em sigilo. Os bastidores desta reportagem foi tema de abertura na 2ª edição do Seminário de Jornalismo Esportivo, que aconteceu neste sábado em São Paulo.

A matéria, feita ao lado da editora Thaís Oyama, saiu em setembro de 2005 na revista Veja e denunciou a fraude nos resultados de partidas comandadas pelos árbitros Paulo José Danelon e Edilson Pereira de Carvalho, culminando com a suspensão e anulação de várias partidas do Campeonato Brasileiro daquele ano.

A apuração
Um grupo de empresários do interior paulista fez um acordo com o árbitro Edílson Pereira de Carvalho. Os empresários apostavam os resultados das partidas em sites de apostas esportivas. Neste caso, Edílson manipulava os jogos para favorecer o grupo e terminar a partida com um placar favorável as apostas dos empresários.

A partir de março de 2005, Rizek passou a acompanhar os sites de apostas. Com o intuito de continuar a apuração, escreveu uma carta anônima ao Ministério Público, mas o Ministério requeriu o depoimento da principal fonte, que não aceitou e preferiu se manter no anonimato. “Nesse período, minha vida se misturou entre a apuração e a investigação policial”, define.

As investigações foram feitas por seis agentes da Polícia Federal, que passaram a fazer escutas telefônicas dos principais envolvidos. Durante a investigação, Rizek decidiu ir até Jacareí falar com o árbitro Edílson. O argumento desta vez foi que iria fazer uma matéria sobre sua vida.

Edílson aceitou e contou várias coisas sobre seu dia-a-dia. Revelou inclusive casos muito confidenciais, como as falsas profissões que afirmou exercer para ser admitido como árbitro.

“Só publico uma matéria quando tenho provas”, afirmou Rizek. Foram seis meses de apuração e investigação. Até que em setembro de 2005 o caso foi matéria de capa da Revista Veja e abalou o futebol brasileiro, anulando partidas e suspendendo e afastando árbitros.

Saiba mais: Jogo Sujo (matéria da revista Veja)